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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Viver não dói...

Definitivo, como tudo o que é simples.


Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas
e não se cumpriram.

Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer,
apenas agradecer por termos conhecido
uma pessoa tão bacana,
que gerou em nós um sentimento intenso
e que nos fez companhia por um tempo razoável,
um tempo feliz.

Sofremos por quê?

Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer
pelas nossas projeções irrealizadas,
por todas as cidades que gostaríamos
de ter conhecido ao lado do nosso amor
e não conhecemos, por todos os filhos que
gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,
por todos os shows e livros e silêncios
que gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.

Por todos os beijos cancelados,
pela eternidade.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante
e paga pouco, mas por todas as horas livres
que deixamos de ter para ir ao cinema,
para conversar com um amigo,
para nadar, para namorar.
Sofremos não porque nossa mãe
é impaciente conosco,
mas por todos os momentos em que
poderíamos estar confidenciando a ela
nossas mais profundas angústias
se ela estivesse interessada
em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu,
mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos,
mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós, impedindo assim
que mil aventuras nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e
nunca chegamos a experimentar.

Como aliviar a dor do que não foi vivido?
A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!!

A cada dia que vivo,
mais me convenço de que o
desperdício da vida
está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca,
e que, esquivando-se do sofrimento,
perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.

O sofrimento é opcional.


Carlos Drummond de Andrade

2 comentários:

  1. Nem sempre o sofrimento é opcional..como lidar com as perdas não sofrer?

    ResponderExcluir
  2. Então Carol R. Cunha... Como lidar com as perdas e não sofrer? Difícil responder a isso, mas eu penso que talvez fazer sofrer não seja a única, digamos, função do sofrimento. Talvez ele tenha também a função de nos fazer crescer, amadurecer, numa palavra: Podemos, acho,aprender mais sobre nós e tudo mais através duma análise sóbria do nosso sofrimento. Talvez a gente não possa impedir a chegada de todos os sofrimentos até nós, mas, parafraseando Sartre, o importante não é o que o sofrimento faz com nós, mas o que nós fazemos com ele. Mas isso é só a minha opinião, pode ser que eu esteja errado.

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