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terça-feira, 29 de março de 2011

Casulos, lagartas e borboletas



Acredito que todos já devem ter ouvido falar em como uma simples lagarta se transforma em uma borboleta!
Para nós, biólogos, (sim, porque além de jornalista, sou bióloga. Que chique!) hahaha.
Mas, continuando... Para nós, biólogos, é a evolução da espécie. Uma simples lagarta, que vive rastejando e presa aos galhos e folhas das árvores, feia e sem nenhum atrativo. Que, às vezes, causa medo e nojo às pessoas que a encontram, se transforma em uma bela, colorida e iluminada borboleta... Um animal que desperta felicidade, alegria nas pessoas. Que chama atenção por suas cores, por seu vôo gracioso...
A lagarta deixa de ser um animal rastejante para se transformar em um animal voador, que pode levar alegria e beleza para diversos lugares. Além, é claro, de levar o pólen em suas patas... Que disseminarão novas e coloridas flores por toda parte.
Realmente, uma grande e belíssima transformação!
Mas, uma transformação difícil! Não é nada fácil para a lagarta se transformar em borboleta!
Quando chega a sua fase adulta... Já cansada da vida, a lagarta cria em torno de si, um casulo. Ela mesma tece os fios desse casulo, fios de seda, e envolve-se nele. E ali fica. Quieta, em um estágio de hibernação, com seu corpo se transformando, se moldando para que torne-se borboleta. Depois desse período, que pode durar de uma semana a um mês, dependendo da espécie, a borboleta está pronta para sair do casulo e alçar seu primeiro vôo.
Mas não pensem que essa saída é fácil! Não pensem que o casulo simplesmente se abre para que ela saia. Não! A saída do casulo é difícil e dolorida para a nova borboleta, que tem de forçar as paredes do casulo para que se rasguem e ela consiga sair. Essa força que a borboleta faz para se livrar do casulo é fundamental para que suas asas sejam perfeitas. Se alguém rasgar o casulo e facilitar sua liberdade, ela terá asas fracas, tortas e mal formadas, que não permitirão seu vôo.
Uma transformação linda... Renovação de vida. Depois de livre do casulo, com suas asas perfeitas, é como se a borboleta renascesse. A lagarta já não mais existe e ela está livre para voar e levar beleza às pessoas.


Assim também somos nós. Simples lagartas no mundo. Mas também temos a chance de nos transformar em agradáveis borboletas.
Cabe a cada um de nós trilharmos nosso caminho de forma a sermos para sempre lagartas, rastejantes e sem brilho... Insignificantes aos olhos dos outros, rastejando pelo mundo, sendo ignorados e, muitas vezes, desprezados. Ou, quem sabe, trilharmos um caminho de paz e beleza, que nos transformará em borboletas iluminadas. Que trarão felicidade e beleza às pessoas à nossa volta.
A inveja, a ignorância, a falta de caráter, mentiras, falsidades, fofocas, farão das pessoas sempre lagartas, presas em suas vidas rastejantes. Ao final, ficarão presas a um casulo escuro e sem vida. Pessoas assim, nunca terão força ou capacidade para se tornarem borboletas.
Algumas pessoas até tentam se tornar borboletas. Formam o casulo, envolvem-se nele e ficam, quietas. Mas ao sair, ao conseguir a liberdade, o máximo que conseguem é se transformar em “assustadoras” e sombrias mariposas. A falta de bons desejos, a escuridão de seus corações, reflete-se em sua transformação. O resultado é uma mariposa, sem cor e sem luz.
Mas, sentimentos bons e puros, a sabedoria, a compreensão, a verdade e a justiça, esses sim, farão de nós lindas e perfeitas borboletas. Renovadas pela felicidade e pela humildade, nos transformaremos e romperemos o casulo, alçando vôos cada vez mais altos. Sempre em busca da perfeição!

Danielle Sgorlon

"Borboleta...
Que voa
Ilumina
Reluz
Borboleta...
Que encanta
Traz beleza
Seduz
Borboleta...
Com seu vôo eterno
Cada vez mais alto
Chegará ao topo
E encontrará a luz..."
                             Danielle Sgorlon
 
 
Postado em:
http://www.danisgorlon.com/2010/08/casulos-lagartas-e-borboletas.html

segunda-feira, 28 de março de 2011

A mulher e a mania de mudar tudo



Queremos mudar nossa vida, mudar o comportamento do chefe, do pai, da mãe, do filho, do governo e até do vizinho.

Enquanto você viver somente para  tentar mudar alguém jamais terá resultados positivos.
Na verdade, a pessoa só muda de comportamento se quiser.

A cada atitude feminina o homem responde com um determinado tipo de comportamento.
O homem tende a resistir a qualquer tentativa forçada de mudança. No começo, pode até mudar, mas não será uma mudança natural.

A gente pensa que a mudança vem de fora para dentro, mas vem de dentro para fora.
Não olhamos para o nosso interior. A maturidade é também a aceitação das diferenças alheias de caráter e temperamento.
O convívio a dois é difícil por conta da diversidade de temperamento.
Criticar os defeitos é mais fácil do que elogiar e aprovar as qualidades do seu homem.
Por que vivemos com esse olhar capenga? Um olhar que observa mais os defeitos do que as virtudes.

Olhe para você mesma! Aprove e admire também suas qualidades.
Comece a mudança dentro de você.

O casal maduro sabe aceitar as diferenças de comportamento e temperamento.
O homem e a mulher são diferentes, mas se completam.
A mulher geralmente é mais sensível e o homem é mais objetivo.
A mulher pode fazer muitas coisas ao mesmo tempo.
O homem, geralmente, centra sua atenção numa atividade de cada vez.

Se você quiser mudanças do seu homem pare com a tentativa de mudá-lo.
A resposta será sempre o contrário do que você quer.
Receber críticas diretas causa mal-estar e poucas chances de mudança de comportamento.

Na verdade, o que está acontecendo é que seu companheiro está respondendo a um comportamento seu. Algumas atitudes podem mudar todo o contexto do relacionamento sem que você precise criticar o tempo todo. Ou viver discutindo a relação.

A mudança tem que começar através das suas atitudes.
Uma mulher sem autoestima vive cheia de melindres.
Ou então tenta agradar demais o parceiro com receio de que ele vá embora.

Ele se sente sufocado por não conseguir corresponder às expectativas dela.
E o resultado é uma mulher frustrada e ressentida.
Seu comportamento será sempre de reagir e não o de agir!

Qualquer atitude do companheiro é uma ofensa ou sinal de que ele não a ama.
Faça uma análise do seu comportamento. Trabalhe sua reforma íntima.
Vez ou outra converse bastante com ele, mas com naturalidade.
Se deseja mais carinho seja mais carinhosa. Desenvolva o que há de melhor dentro de você.
Controle o ciúme porque ele muda seu homem para pior.

Dizem que os homens gostam de mulheres firmes e, as mulheres, de homens românticos.
A firmeza na mulher denota um caráter seguro e confiante.
Atrai um comportamento mais assertivo do companheiro.
É mais fácil amar quando se admira a pessoa amada.
Homens românticos tendem a obter respostas mais carinhosas da mulher.

O relacionamento maduro é uma troca muito gostosa de carinho, respeito e compreensão.
Se você acha que está investindo no relacionamento e o companheiro continua egoísta e distante não tente mudá-lo.

Ele que se mude!

Texto da psicóloga Sandra Cecília - www.relaxmental.com.br 

domingo, 27 de março de 2011

Solidão



Que me desculpem os desesperados,
mas solidão é fundamental para viver.
Sem ela não me ouço, não ouso, não me fortaleço.

Sem ela me diluo, me disperso, me espelho nos outros, me esqueço.
Não penso solto, não mato dragões, não acalanto a criança apavorada
em mim, não aquieto meus pavores, meu medo de ser só.

Sem ela sairei por aí, com olhos inquietos, caçando afeto, aceitando migalhas,
confundindo estar cercada por pessoas, com ter amigos.

Sem ela me manterei aturdida, ocupada, agendada só para driblar o tempo e
não ter que me fazer companhia.

Sem ela trairei meus desejos, rirei sem achar graça, endossarei
idéias tolas só para não ter que me recolher e  ouvir meus lamentos,
meus sonhos adiados, meus dentes rangendo.

Sem ela, e não por causa dela, trocarei beijos tristes e acordarei
vazia em leitos áridos.
Sem ela sairei de casa todos os dias e me afastarei de mim,
me desconhecerei, me perderei.

Solidão é o lugar onde encontro a mim mesma,
de onde observo um jardim secreto e por onde acesso o templo em mim.

Medo? Sim.

Até entender que o monstro mora lá fora e o herói mora aqui dentro.
Encarar a solidão é coisa do herói em nós, transformá-la em quietude é
coisa do sábio que podemos ser.

Num mundo superlotado, onde tudo é efêmero, voraz e veloz a solidão
pode ser oásis e não deserto.
Num mundo tão estressado, imediatista, insatisfeito a solidão
pode ser resgate e não desacerto.
Num mundo tão leviano, vulgar, que julga pelas aparências e
endeusa espertalhões, turbinados, bossais, a solidão pode ser
proteção e não contágio.
Num mundo obcecado por juventude, sucesso, consumo a solidão
pode ser liberdade e não fracasso.

Solidão é exercício, visitação.É pausa, contemplação, observação.
É inspiração, conhecimento.É pouso e também vôo.
É quando a gente inventa um tempo e um lugar para cuidar da alma,
da memória, dos sonhos;
quando a gente se retira da multidão e se faz companhia.
Preciso estar em mim para estar com outros.Ninguém quer ser solitário,
solto, desgarrado.

Desde que o homem é homem, ou ainda macaco,
buscamos não ficar sozinhos.
Agrupamo-nos, protegemo- nos, evoluímos porque éramos um bando,
uma comunidade.
Somos sociáveis, gregários.

Queremos amigos, amores.
Queremos laços, trocas, contato.
Queremos encontros, comunhão, companhia.
Queremos abraços, toques, afeto.

Mas, ainda assim, ouso dizer:
é preciso aprender a estar só para se gostar e ser feliz.
O desafio é poder recolher-se para sair expandido.
É fazer luz na alma para conhecer os seus contornos,
clarear o caminho e esquecer o medo da própria sombra.

Ouse a solidão e fique em ótima companhia.
Assim estarás pronto para desfrutar de todas as outras boas companhias da vida ....

(autor desconhecido)

sábado, 26 de março de 2011

Analfabeto de céu



Era a tarefa do dia na aula. Pintar um lugar onde eles gostariam de estar.

A menina se esmerou com a palheta de cores, e produziu, empolgada, sua obra de arte.

Ansiosa, levantou-se da cadeira e foi mostrar à professora.

Ao ver a pintura, a educadora notou algo estranho já de súbito.

Disse baixinho um Muito bem, para incentivar a criança, fez um carinho e pegou o desenho em mãos.

Os trabalhinhos seriam expostos no outro dia no mural da Escola.

No intervalo para o lanche, a professora não se conteve, pegou o desenho e foi mostrar às outras que se encontravam na secretaria da Escola.

Ela queria uma opinião sobre aquilo. Algumas delas eram mais entendidas em psicologia infantil, e quem sabe poderiam ajudá-la a decifrar o que estava pintado ali.

O que será que ela quis dizer com isso?
Isso deve estar mostrando algum sentimento, algo que ela tem guardado.

O que será?

As amigas de profissão não souberam dizer. Algumas disseram que não era nada, que não deveria se preocupar. Mas ela estava encafifada.

Voltou à sala de aula, e resolveu que, ao final do período, iria conversar com a menina e perguntar a ela o que significava.

Chamou-a então, com discrição, à sua mesa e perguntou, com a pintura na mão:

Querida, você pode explicar algo para mim? - A criança acenou com a cabeça.

Se o céu é azul, por que você desenhou um céu cor-de-rosa?

Mas o céu não é azul, professora! - Respondeu ela, com educação.

Quem diz que o céu é azul é analfabeto de céu!











Ontem, no final da tarde, o céu, atrás de minha casa, estava  assim, rosa.














  Esses dias vi um céu laranja!


À noite ele é sempre preto, ou azul escuro, mas de dia ele pode ser cinza claro, cinza escuro, vermelho...


Sabe... Uma vez vi uma tempestade tão grande no céu, que ela chegou a pintar o céu de verde! Não é todo mundo que acredita, mas eu vi, era verde.












A menina fez um verdadeiro discurso sobre as cores do céu, deixando boquiaberta a professora desatenta.

Ela nunca havia parado para pensar nisso.

Aceitou tão facilmente a verdade, o clichê de que o céu é azul, que acabou esquecendo a variedade de cores possíveis no zimbório terreno.

Percebeu então como as crianças têm uma sensibilidade admirável, e que muito tinha a aprender com elas.

Com certeza, na próxima vez, antes de achar que possa existir algum problema numa criança,
iria se analisar, para perceber se não era sua sensibilidade que precisava de escola.

(autor desconhecido)

sexta-feira, 25 de março de 2011

Simplesmente Mulher




Mulher criança, é só doçura,
Adoslecente é sinônimo de paixão,
Mulher mulher que enlouquece o homem,
Mulher mãe, amor e coração,
Na meia idade, feito loba é mais mulher,
Na velhice, o carinho e a inteligência,
Mulher menina, toda ternura,
Que todo homem quer.
Mãe das bonecas e do irmão,
Do animalzinho de estimação,
Meio mãezinha do namorado,
Mãe protetora do seu amado,
Mãezona do neto que fica encantado,
Mãe até dos pais, na idade avançada.
Mulher que se liberta pouco a pouco,
Que assume o seu lugar de igualdade,
Impondo seu espaço na sociedade,
Exercendo hoje qualquer profissão,
Sem esquecer-se de cada obrigação,
Que assumiu no lar e na vida,
Desde a tenraidade.
Mulher que já nasce apaixonada,
Que vive o amor, em cada jornada,
Que sofre, chora, ri e se entrega.
Conhecendo o valor de cada detalhe,
Que sonha e que vive a realidade,
Querendo ser sempre amada de verdade,
Mas antes de tudo, ama tudo o que quer.
Mulher que não precisava ter um dia,
Que internacionalmente comemora,
Sua existência e sabedoria,
Pois todas as horas de todos os dias,
Ela é lembrada, chamada e socorre,
O filho, o neto, o pai, o homem,
Todos que pedem sua atenção.
Mulher é razão, é discernimento,
É emoção, é sentimento,
É o desejo, a sedução,
É a prece, a oração.
É o amor em todos os sentidos,
Amor completo, sem pruridos,
Mulher é a alma do coração.

(Ivone Carvalho)

quarta-feira, 23 de março de 2011

Relações Banalizadas




No mundo moderno as comunicações operam-se com grande rapidez e eficiência.
Internet, televisão e cinema constituem instrumentos de difusão de informações e modos de vida.
Graças a eles se tem notícia do quão liberais estão os costumes.
Valores tradicionais são colocados em xeque.
A educação baseada na proibição dá mostras de periclitar.
Os jovens exercitam a sexualidade cada vez mais cedo.
Tabus caem e nada mais parece errado.
Segundo uma concepção que se generaliza, o importante é ser feliz.
Essa felicidade é identificada com a realização de sonhos e a obtenção de prazeres.
Entretanto, a vivência dessa nova cultura não parece proporcionar paz e plenitude.
Problemas psicológicos, como depressão e ansiedade, se alastram.
A troca constante de parceiros traz vazio e insatisfação.
Uma série de relações sem profundidade em nada contribui para o amadurecimento afetivo.
A ausência de compromisso sério torna banais os relacionamentos.
Em clima de banalidade, é impossível surgir uma afeição genuína e profunda.
A qualquer sinal de dificuldade, o rompimento surge como uma opção simples e fácil.
Pessoas tornam-se descartáveis nas vidas umas das outras.
A procura da felicidade torna-se um processo de infantilização.
Ao invés de serem identificados e resolvidos os problemas de uma relação, foge-se deles.
É como se os seres humanos se assemelhassem a eletrodomésticos.
Quando surgem problemas, um é facilmente substituído por outro.
Trata-se de uma triste característica que se incorpora na personalidade.
Gradualmente, optar pela solução mais fácil torna-se uma segunda natureza.
Ocorre que a solução mais fácil nem sempre é a mais honrosa.
Em questões morais, raramente agir com correção é fácil.
Caso se opte sempre pela facilidade, corre-se o risco de perder completamente as referências éticas.
De leviandade em leviandade, o homem se converte em um monstro egoísta e imoral.
As dores e os problemas dos outros deixam de ter qualquer importância.
O relevante é não se incomodar e seguir despreocupado.
Entretanto, ação gera reação.
Quem se permite desprezar, ferir e seguir adiante, gradualmente se vê isolado.
Contudo, a dor destina-se a desenvolver a sensibilidade e não poupa ninguém.
Todo mundo, mais cedo ou mais tarde, experimenta dificuldades e necessita de apoio.
Em épocas difíceis, de dor e desolação, um ombro amigo é um tesouro de inestimável valor.
Ciente disso, não se negue a apoiar quem precisa de você.
Não banalize suas relações e nem imagine que as pessoas são descartáveis.
Não tenha como meta de vida a despreocupação.
Descubra a ventura de estabelecer vínculos afetivos sólidos e profundos.
Permita-se partilhar os problemas dos outros.
Converta-se em alguém solidário e disposto a colaborar.
Quando surgirem problemas em uma relação, resolva-os, como adulto que é.
Talvez sua vida se torne um pouco menos despreocupada.
Mas ela ganhará em plenitude e maturidade.
O exercício da solidariedade e da compaixão o fará um ser humano melhor.
E, com certeza, ser digno e bom lhe proporcionará paz e alegria.

Pense nisso.

Doce Maturidade



Sei que estou madura não pelos fios de cabelos brancos 

que insistem em se multiplicar e nem pelas oportunidades 
que deixei passar esperando que melhores viessem, mas 
porque hoje crio as oportunidades que desejo vivenciar.

Reconheço a maturidade não pelos sonhos que morreram, 

mas pelos sonhos que insistem em brotar de minha alma 
e que hoje os faço acontecer à minha medida e possibilidade. 

Mas, se ainda assim, o sonho não acontecer ou não der certo, 
não fico remoendo, me culpando pelo fracasso ou esperando 
que alguém o realize por mim.

Simplesmente, não perco tempo. 

Aprendo com meus erros, sigo em frente, 
sabendo que o tempo de recomeçar já está acontecendo.

Essa é uma das vantagens que o tempo nós dá: 

aprendemos que o melhor tempo da nossa vida não foi o tempo 
que passou e nem o tempo que virá – esse tempo é tempo de ilusão, 
uma maneira de evitarmos a vida que flui naturalmente em nós.

Aprendemos que as perdas, na verdade, nunca foram perdas, 

e sim, ganhos – oportunidades de nos livrarmos da falsa auto-imagem 
que construímos para nos sentirmos aceitos e amados.

Quando amadurecemos, compreendemos que não importa se 

nos sentimos ou não amados o suficiente e se não amamos o 
quanto poderíamos ter amado... 
o importante mesmo é como amaremos daqui pra frente!

A maturidade não se faz pelas marcas que o tempo deixa em nossa pele, 

mas pela sensibilidade que sentimos quando alguém nos toca 
e com a doçura com que tocamos alguém... 
com a doçura com que tocamos a vida!

Entendemos definitivamente que o amor, a alegria, a paz, são sentimentos 

que brotam de dentro pra fora e não de fora pra dentro.

Aprendemos, ainda, um novo conceito de felicidade, mais consistente e real.

Valorizamos a simplicidade da vida, os pequenos gestos... 

coisas que a pressa da juventude não nos permitia apreciar.

Compreendemos de uma vez por todas que ser feliz não é uma questão de idade, 

e sim, uma questão de escolha, de decisão mesmo!


Cintia Jubé

Gosto de gente que...



Gosto de gente com a cabeça no lugar, de conteúdo interno, 
idealismo nos olhos e dois pés no chão da realidade.
             
Gosto de gente que ri, chora, se emociona com uma simples carta,

um telefonema, uma canção suave, um bom filme, um bom livro,  
um gesto de carinho, um abraço, um afago.

Gente que ama e curte saudades, gosta de amigos, cultiva flores,
ama animais. Admira paisagens, poeira; E escuta.

Gente que tem tempo para sorrir bondade, semear perdão, repartir ternuras, 
Compartilhar vivências e dar espaço para as emoções  dentro de si, 
Emoções que fluem naturalmente de dentro de seu ser! 

Gente que gosta de fazer as coisas que gosta,
Sem fugir de compromissos difíceis e inadiáveis, por mais desgastantes que sejam. 
Gente que colhe, orienta, se entende, aconselha, busca a verdade  e quer sempre aprender,  
mesmo que seja de uma criança, de um pobre, de um analfabeto.

Gente de coração desarmado, sem ódio e preconceitos baratos.  

Com muito AMOR dentro de si. Gente que erra e reconhece, 
cai e se levanta, apanha e assimila  os golpes, tirando lições dos erros 
e fazendo redentora suas lágrimas e sofrimentos.

Gosto muito de gente assim..... 

E desconfio que é deste tipo de gente  que DEUS também gosta!



(Arthur da Távola)
            

  Postado em:  www.rivalcir.com

terça-feira, 22 de março de 2011

Sua presença em mim




Nos meus momentos
De solidão
Lembro não muito consciente do seu sorriso

Não é a sua imagem
Mas a sensação da sua presença
Como se onde você estivesse eu pudesse estar
No meu intimo
Essa distância não existe

Te levo comigo aonde vou
Te vejo no reflexo do vidro no metrô
Te encontro num pássaro que canta de repente
No sorriso inocente de uma criança

Não sei quando comecei a te imaginar assim
De repente me vi tomado de te querer

Nunca me opus a te sentir assim
Nessa loucura

E porque razão eu ia querer não ser feliz?
Talvez nada aconteça
Talvez nada exista

Talvez seja apenas uma ilusão
Doce ilusão

Mas enfim se sou feliz assim
Faz alguma diferença?
 Postado em: http://deslizespoeticos.blogspot.com/2011/03/sua-presenca-em-mim.html
 


segunda-feira, 21 de março de 2011

Toques de elegância


Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez,
por isso, esteja cada vez mais rara e fora de moda:
é a elegância do comportamento...

É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres
e que abrange bem mais do que dizer um
simples “obrigado” diante de uma gentileza…

É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã
até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas,
quando não há festa alguma, nem fotógrafos por perto.
É uma elegância desobrigada...

É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam,
nas pessoas que escutam mais do que falam...

E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades,
normalmente ampliadas no boca a boca...

É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz
ao se dirigir a frentistas…
 
Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores,
porque não sentem prazer em humilhar os outros…

É possível detectá-la nas pessoas pontuais.

Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece,
é quem presenteia fora das datas festivas,
é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação,
não recomenda à secretária que pergunte, antes,
quem está falando e só depois manda dizer se está ou se não está...

Oferecer flores é sempre elegante.

É elegante não ficar espaçoso demais…

É elegante você fazer algo por alguém,
e este alguém jamais saber o quanto você
teve que se desdobrar para o fazer...

É elegante não mudar seu estilo,
apenas para se adaptar ao outro…

É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais...

É elegante retribuir carinho e solidariedade...

“É elegante o silêncio, diante de uma rejeição...”

Sobrenome, jóias e nariz empinado, não substituem a elegância do gesto...

Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo,
a estar nele de uma forma não arrogante…

É elegante a gentileza.

Atitudes gentis falam mais que mil imagens.
Abrir a porta para alguém, é muito elegante.
Dar o lugar para alguém se sentar, é muito elegante…

Sorrir sempre é muito elegante e faz um bem imenso para a alma...

Oferecer ajuda, é muito elegante...

Olhar nos olhos ao conversar, é essencialmente elegante...

Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural pela observação,
mas tentar imitá-la, é improdutivo…

A saída é desenvolver, em si mesmo, a arte de conviver,
que independe de status social:
é só pedir licencinha para o nosso lado brucutu,
que acha que "com amigos”… não tem que ter estas coisas…

Se os amigos não merecem uma certa cordialidade,
os desafetos é que não irão desfrutá-la…

Educação enferruja por falta de uso…
E um detalhe: não é frescura.

Martha Medeiros

domingo, 20 de março de 2011

Experimente me amar



Pode invadir ou chegar com delicadeza, 
mas não tão devagar que me faça dormir.
Não grite comigo, tenho o péssimo hábito de revidar.

Acordo pela manhã com ótimo humor mas ... 
permita que eu escove os dentes primeiro.
Toque muito em mim, principalmente nos cabelos 
e minta sobre minha nocauteante beleza.

Tenho vida própria, me faça sentir saudades, 
conte algumas coisas que me façam rir, 
me conte piadas e não seja preconceituoso, 
não perca tempo, cultivando este tipo de herança de seus pais.

Viaje antes de me conhecer, sofra antes de mim para reconhecer-me um porto, 
um albergue da juventude.

Eu saio em conta, você não gastará muito comigo.
Acredite nas verdades que digo e também nas mentiras,
elas serão raras e sempre por uma boa causa.

Respeite meu choro, me deixe sozinha, 
só volte quando eu chamar e, 
não me obedeça sempre que eu também gosto de ser contrariada. 
( Então fique comigo quando eu chorar, combinado?).

Seja mais forte que eu e menos altruísta!
Não se vista tão bem... gosto de camisa para fora da calça, 
gosto de braços, gosto de pernas e muito de pescoço. 
Reverenciarei tudo em você que estiver a meu gosto: 
boca, cabelos, os pelos do peito e um joelho esfolado, 
você tem que se esfolar as vezes, mesmo na sua idade.

Leia, escolha seus próprios livros, releia-os.
Odeie a vida doméstica e os agitos noturnos.
Seja um pouco caseiro e um pouco da vida, 
não de boate que isto é coisa de gente triste.

Não seja escravo da televisão, nem xiita contra.
Nem escravo meu, nem filho meu, nem meu pai.
Escolha um papel para você que ainda não tenha 
sido preenchido e o invente muitas vezes.

Me enlouqueça uma vez por mês mas, 
me faça uma louca boa, 
uma louca que ache graça em tudo que rime com louca: 
loba, boba, rouca, boca ...

Goste de música e de sexo. 
goste de um esporte não muito banal.
Não invente de querer muitos filhos, 
me carregar pra a missa, apresentar sua familia... 
isso a gente vê depois ... se calhar ...

Deixa eu dirigir o seu carro, que você adora.
Quero ver você nervoso, inquieto, olhe para outras mulheres, 
tenha amigos e digam muitas bobagens juntos.

Não me conte seus segredos ... me faça massagem nas costas.
Não fume, beba, chore, eleja algumas contravenções.
Me rapte!
Se nada disso funcionar ... 

experimente me amar!

Martha Medeiros

sábado, 19 de março de 2011

Muda mundo



A maior riqueza do homem é a sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado.
Palavras que me aceitam como sou - eu não aceito.
Não agüento ser apenas um sujeito que abre portas, que puxa válvulas, que olha o relógio, que compra pão às 6 horas da tarde, que vai lá fora, que aponta lápis, que vê a uva etc. etc.
Perdoai.
Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem usando borboletas.

Manoel de Barros

sexta-feira, 18 de março de 2011

Múrmurio



Traze-me um pouco das sombras serenas
que as nuvens transportam por cima do dia! 
Um pouco de sombra, apenas,
- vê que nem te peço alegria.
 
Traze-me um pouco da alvura dos luares
que a noite sustenta no teu coração!
A alvura, apenas, dos ares:
- vê que nem te peço ilusão.
 
Traze-me um pouco da tua lembrança,
aroma perdido, saudade da flor!  
- Vê que nem te digo - esperança!
 
- Vê que nem sequer sonho- amor!


Cecília Meireles

quinta-feira, 17 de março de 2011

Eu


 Até agora eu não me conhecia,
julgava que era Eu e eu não era
Aquela que em meus versos descrevera
Tão clara como a fonte e como o dia.

Mas que eu não era Eu não o sabia
mesmo que o soubesse, o não dissera...
Olhos fitos em rútila quimera
Andava atrás de mim... e não me via!

Andava a procurar-me - pobre louca!-
E achei o meu olhar no teu olhar,
E a minha boca sobre a tua boca!

E esta ânsia de viver, que nada acalma,
E a chama da tua alma a esbrasear
As apagadas cinzas da minha alma!

Florbela Espanca

quarta-feira, 16 de março de 2011

Vivo do vento



Vivo do vento que vem do norte, sem rumo
vivo do vento que me mantém acordada, no prumo
vivo do vento que me leva a lugares longínquos, consumo
vivo do vento que me leva ao mar, espumo
mar que me purifica da árdua jornada, aprumo
onde renasço e me fortaleço para a vida, perfumo
vivo do vento que traz o arco-íris, resumo
com suas cores vivas, brilhantes, mágicas, avolumo
arco-íris, alem do horizonte, da fantasia, desaprumo
do faz-de-conta, onde me perco lúcida, sumo
envolta em ventos, multifacetados, disformes, fumo
vivo do vento que traz a semente, a vida, humo
vivo do vento que traz o canto dos pássaros, assumo
farfalhando suas asas, canto doce, encantado, escumo
vivo do vento, envolta em brisa refrescante, acostumo
vivo do vento, sou vento entre os montes, rumo
vagueio pelos ares, marres, além, reassumo
vivo do vento que arde em mim, espumo
vivo do vento que espalha a sorte, arrumo
vivo do vento que anuncia a aurora, emplumo
vivo do vento que corre do norte, defumo
vivo do vento, preciso de pouco, prumo
vivo do vento que te levou o perfume, presumo
vivo do vento que nos separou por instantes, desarrumo
Vivo do vento esperando a sua volta, perfumo
vivo do vento, só vivo, meu rumo !

Escrito por Vavá  Maia

Livro desconhecido




Estou à procura de um livro para ler. 
É um livro todo especial. Eu o imagino como a um rosto sem traços. 
Não lhe sei o nome nem o autor. 
Quem sabe, às vezes penso que estou à procura de um 
livro que eu mesma escreveria. 
Não sei. 
Mas faço tantas fantasias a respeito desse livro desconhecido 
e já tão profundamente amado. 
Uma das fantasias é assim: eu o estaria lendo e, de súbito,
 uma frase lida com lágrimas nos olhos, diria em êxtase de dor 
         e de enfim libertação: mas é que eu não sabia que se pode tudo,    
meu Deus! 
     
Clarice Lispector

O encontro




Como é bom  parar !
Parar agora mesmo.

Porque tanta agitação 
para que todo esse frenesi?

Eu não sabia parar
esquecia-me de rezar.

Agora fecho os meus olhos
quero falar comigo.

Quero entregar meus
pensamentos ao universo.

Meu coração comtinua batendo
mais de um jeito diferente.

Não estou fazendo nada
não estou com pressa.

Simplesmente estou
diante de mim mesmo.

E assim eu me encontro.

Como é bom estar somente
eu e minha consciência.

Como é bom buscar-me no silêncio
e encontrar-me.

De que vale toda pressa?
Do que vale a agitação ?

Eu não posso salvar o mundo!

Não posso salvar nem a mim mesmo
se eu nãome encontrar neste silêncio.

O silêncio interior é o melhor encontro
comigo mesmo, no mais intimo do meu ser.

(autor desconhecido)

segunda-feira, 14 de março de 2011

Como é grande o meu amor por você !



Eu tenho tanto pra lhe falar
Mas com palavras não sei dizer
Como é grande o meu amor por você
E não há nada pra comparar
Para poder lhe explicar
Como é grande o meu amor por você
Nem mesmo o céu nem as estrelas
Nem mesmo o mar e o infinito
Não é maior que o meu amor
Nem mais bonito
Me desespero a procurar
Alguma forma de lhe falar
Como é grande o meu amor por você
Nunca se esqueça, nem um segundo
Que eu tenho o amor maior do mundo
Como é grande o meu amor por você
(Roberto Carlos)
Em Homenagem a Arlete Valderrama,
Que este bebê seja muito abençoado !!
Parabéns irmã !



domingo, 13 de março de 2011

Ser livre



Toda liberdade tem um preço.
Às vezes, alto demais para que possamos alcançá-la.

Aquele que quiser ser livre
Tem que ser muito forte,
tem que colocar seu anseio de liberdade acima até de si próprio.
Ser livre não é correr atrás de um sonho, mas sim realizá-lo.

Ser livre não é ficar olhando a vida passar, mas sim correr junto dela.
Ser livre é enfrentar cada desafio de prisão e fugir deles.
Ser livre é olhar para seu interior e dizer: Eu consegui, eu cheguei lá.

Mesmo que ao dizer isso tenha lágrimas escorrendo pela face.
Lágrimas que traduzem a alegria de ser livre, ao mesmo tempo que nos
lembram o preço que pagamos pela liberdade conquistada.

Ser livre, um caminho sofrido, cuja recompensa encontramos em seu final.
Quando conquistamos, com nosso esforço, o direito de exercer a nossa liberdade de nosso modo, e não mais percorrendo o caminho traçado por outros.

Ser livre é um direito de opção que nos pertence.
Não podemos deixar escapar de nossas mãos a chance de SER LIVRE…

(Suzana Motta)

quinta-feira, 10 de março de 2011

Generosidade



Quero ser generoso.
dar sem calcular,
devolver bem por mal.

Servir sem esperar recompensa,
aproximar-se dos que não me agradam,
fazer o bem a quem nada pode retribuir-me.

Amar sempre gratuitamente,
trabalhar por amor,
não somente por recompensa.

Preocupar-me apenas com o repouso necessário.

E se eu não tiver outra coisa para dar,
doar-me em tudo e a cada vez mais
em entender, compreender e ajudar a que for preciso.

Conseguindo assim não recompensas,
mas um nível de  consciência de que faço o que posso, quando posso,
e por quem posso e isso me faz melhor, não com os outros,
mas comigo mesmo.

Diálogo



O diálogo solta os nós, dissipa as suspeitas, abre portas.
Soluciona os conflitos, engrandece e aproxima pessoas.
É vínculo de unidade e início da fraternidade.

Que eu compreenda que todas as delinteligências são quase sempre dúvidas por falta de diálogo.
Que eu compreenda que o diálogo não é uma discussão, nem debate de ideias, mas uma busca
da verdade entre duas ou mais pessoas.

Faz-me compreender que temos a necessidade de nos completar e não de controlar uns aos outros.

No diálogo descobrimos que temos para dar e receber, já que eu posso ver o que os outros não vem e
os outros  podem ver o que eu não vejo.

Quando  aparecer no diálogo a tensão, faz-me lembrar da humildade para não querer
impor minha vontade atacando a verdade do outro.

Que eu saiba calar e esperar o momento oportuno, faz-me saber esperar que o outro acabe de
expressar para que eu possa me expressar.

Que eu tenha sabedoria para compreender que nenhum ser humano é capaz de captar inteiramente a verdade toda e que não existe erro ou desatino que não tenha alguma parte de verdade.

Que eu saiba ter a sensatez para reconhecer que também eu  posso estar equivocado em algum aspecto da verdade do  outro.

Que eu tenha generosidade para pensar que também o outro busca honestamente a verdade.

Que eu saiba dialogar sem pré-conceitos e com benevolência as opiniões alheias.

Que eu saiba sempre dialogar.

quarta-feira, 9 de março de 2011

O Haver



Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo
- Perdoai-os! porque eles não têm culpa de ter nascido...

Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem
Cheia de mansidão para com tudo quanto existe.

Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer exprimir o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.

Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética
Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.

Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza
Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria
Ao ouvir passos na noite que se perdem sem história.

Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera em face da injustiça e o mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
Piedade de si mesmo e de sua força inútil.

Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado
De pequenos absurdos, essa capacidade
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
E essa coragem para comprometer-se sem necessidade.

Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser
E ao mesmo tempo essa vontade de servir, essa
Contemporaneidade com o amanhã dos que não tiveram ontem nem hoje.

Resta essa faculdade incoercível de sonhar
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é, e essa visão
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante

E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.

Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem memória
Resta essa pobreza intrínseca, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do seu reino.

Resta esse diálogo cotidiano com a morte, essa curiosidade
Pelo momento a vir, quando, apressada
Ela virá me entreabrir a porta como uma velha amante
Mas recuará em véus ao ver-me junto à bem-amada...

Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens.

Vinicius de Moraes

Pergunta-me


Pergunta-me
se ainda és o meu fogo
se acendes ainda
o minuto de cinza
se despertas a ave magoada
que se queda
na árvore do meu sangue

Pergunta-me
se o vento não traz nada
se o vento tudo arrasta
se na quietude do lago
repousaram a fúria
e o tropel de mil cavalos

Pergunta-me
se te voltei a encontrar

de todas às vezes
que me detive
junto das pontes enovoadas
e se eras tu
quem eu via
na infinita dispersão do meu ser
se eras tu que reunias pedaços
do meu poema reconstruindo
a folha rasgada
na minha mão descrente

Qualquer coisa
pergunta-me
qualquer coisa
uma tolice
um mistério indecifrável
simplesmente
para que eu saiba
que queres ainda saber
para que mesmo sem te responder
saibas o que te quero dizer

Mia Couto

Amizade


“A amizade não se busca,
não se sonha, não se deseja.
Pratica-se. É uma virtude”.

(Simone Weill)

Abraço



De repente deu vontade de um abraço.
Uma vontade de entrelaço, de proximidade...
De amizade, sei lá...
Talvez um aconchego que enfatize a vida
E amenize as dores...
Que fale sobre os amores
Que seja teimoso e ao mesmo tempo forte.
 

Deu vontade de poder rever saudade de um abraço
Um abraço que eternize o tempo
E preencha todo o espaço
Mas que faça lembrar do carinho, que surge devagarzinho
Da magia da união dos corpos, das auras...sei lá...
Lembrar do calor das mãos acariciando as costas
A dizer..." estou aqui."
 

Lembrar do trançar dos braços envolventes e seguros
Afirmando " estou com você "
Lembrar da transfusão de forças com a suavidade do momento ... sei lá...
Abraço... abraço... abraço... abraço... abraço... abraço
O que importa é a magia desse abraço!
 

A fusão de energia que harmoniza,
Integra tudo, e que se traduz no cosmo, no tempo e no espaço
Só sei que agora deu vontade desse abraço!!!!!!!!
Que afaste toda e qualquer angustia.
 

Que desperte a lágrima da alegria, e acalme o coração
Que traduza a amizade, o amor e a emoção
E para um abraço assim só pude pensar em voçê.......
Nessa sua energia, nessa sua sensibilidade
Que sabe entender o porquê...
Dessa vontade desse abraço.

Vinicius de Moraes

Viajar


 "Viajar?

Para viajar basta existir.
Vou de dia para dia , como de estação para estação,
no comboio do meu corpo, ou do meu destino,
debruçado sobre as ruas e as praças, sobre os gestos e os rostos,
sempre iguais e sempre diferentes,
como, afinal, as paisagens são.

Se imagino, vejo. Que mais faço eu se viajo?
Só a fraqueza extrema da imaginação justifica
que se tenha que deslocar para sentir.

A vida é o que fazemos d'ela.
As viagens são os viajantes.
O que vemos, não é o que vemos, senão o que somos."

Bernardo Soares
Livro do Desassossego
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